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Turismo: XIV EIT deu a conhecer belezas dos Açores

Terça-Feira, 14 Outubro de 2008
A ilha de São Miguel, nos Açores, recebeu durante quatro dias mais de uma centena de agentes de viagens, líderes de opinião e seus acompanhantes. Vindos de destinos tão longínquos como a Austrália, África do Sul,  Canadá, EUA, Cabo Verde, Suíça, França, Inglaterra, entre outros países, participaram no XIV Encontro Internacional de Turismo (EIT) com uma forte vontade de conhecer “um diamante por lapidar” a ilha verde, onde a paisagem encanta qualquer visitante...   



Estava dado início ao XIV Encontro Internacional de Turismo (EIT) uma iniciativa da Comissão Organizadora do Encontro Internacional de Turismo que através de Carlos Morais, seu organizador e com o apoio do jornal O Emigrante/Mundo Português, deu voz nos últimos treze anos à representação e dimensão de milhares de Turistas Portugueses Residentes no Estrangeiro.
Através do EIT, Portugal passou a ser mais conhecido por aqueles, que por vezes sem apoio algum na ajuda à divulgação, são os responsáveis directos pela vinda a Portugal de milhares de turistas, já que o número de agências de viagem de portugueses no mundo, totaliza cerca de quinhentas, com cerca de quatro mil funcionários e colaboradores que todos os dias, promovem o destino de Portugal.
Ao longo dos seus treze anos de realização, o Encontro tem «escolhido» sempre uma região de Portugal, na certeza de descobrir nela, aquele Portugal desconhecido. Olhando para trás o EIT mostrou Portugal nas suas vertentes hoteleiras, históricas, paisagísticas, gastronómicas e etnográficas de norte a sul e ilhas, tendo contemplado, com a sua realização, Lisboa, Serra da Estrela e Covilhã, Algarve, Alentejo, Minho, Douro a Madeira e Porto Santo e agora a “ilha verde” de S. Miguel no arquipélago dos Açores.
Durante anos, os Turistas Portugueses Residentes no Estrangeiro foram e ainda são contabilizados nas estatísticas de entradas e dormidas em Portugal como americanos, brasileiros, ingleses, alemães, holandeses, dado utilizarem os seus passaportes e estatuto de dupla nacionalidade na contabilização de entradas em Portugal, engrossando o número de entrada de turistas em Portugal, sem ter havido a devida identificação.
Desconhecia-se em absoluto e não se reconhecia que os quatro milhões e meio de portugueses e luso-descendentes dispersos por todo o mundo são os melhores e mais fiéis turistas, que hoje não se limitam a vir a Portugal, visitar a sua terra ou as suas raízes, mas sim conhecer e gozar as suas férias. Finalmente em 2000 depois de muita persistência, foram realizados estudos oficiais, e estes deram lugar a um número, dimensão e importância que a todos surpreendeu: quase três milhões de turistas/ano, mais de 61 milhões de dormidas, metade do total de dormidas efectuadas em Portugal, são dos Turistas Portugueses Residentes no Estrangeiro, os mais fiéis visitantes e os maiores consumidores, conforme pudemos testemunhar, pelos testemunhos dos agentes económicos que no dia a dia, trabalham com o turismo.
A maioria dos agentes de viagem presentes neste XIV EIT, não conhecia os Açores, mas ao longo dos muitos anos de actividade, fizeram o mais difícil: sem promoção e documentação por vezes, sem serem destinatários alvo das campanhas de promoção, conseguiram levar até às Regiões Autónomas e o Continente, turistas e estrangeiros de países tão diversos, em vez de terem escolhido e promovido junto dos seus clientes destinos mais baratos e mais próximos, já que o “amor” a Portugal fala mais alto.

Açores encantaram...

Durante quatro dias, os Açores encantaram os presentes e de acordo com os testemunhos, aquela região, vai no futuro ser ainda mais promovida e aconselhada aos seus clientes. A beleza de São Miguel, a hospitalidade do povo, a tranquilidade, a natureza virgem, contribuem para que a ilha, seja considerada uma das ilhas de natureza mágica. Depois de instalados numa das modernas unidades hoteleiras, mesmo em frente à nova Marina «Portas do Mar», Carlos Morais deu as boas vindas no jantar do primeiro dia aos participantes.



Vale das Furnas «Terra do Fogo»

De Ponta Delgada à Lagoa de Fogo, passando pela aldeia do “embaixador” do futebol internacional - Pauleta, nascido em Lagoa - passando junto da residência de uma “embaixadora” da música - a luso-descendente Nelly Furtado - os participantes, começaram por tomar conta da realidade paisagística desta ilha, onde o verde dos campos impera, e onde o mar azul, contrasta.
Lagoa do Fogo, uma das últimas erupções da ilha, a meio caminho entre a costa norte e sul, foi um dos pontos obrigatórios de visita, seguindo depois o grupo, nos três autocarros, para Vila Franca do Campo, primeira “capital da ilha” e primeiro local onde o povoador Gonçalo Velho Cabral, aportou. Aí as queijadas da Vila, ou as queijadas do Morgado, foram a primeira riqueza gastronómica na especialidade de doce conventual a ser degustado.
O Vale das Furnas, com as suas fumarolas é outro ex-libris de S. Miguel e os participantes puderam assistir à tirada do «cozido das caldeias»: através do calor natural vindo das profundezas da terra, confecciona-se durante seis horas, desde há centenas de anos, um dos pratos mais típicos da ilha, o célebre cozido que tem um sabor único. Durante o almoço a directora regional do Turismo, Isabel Barata, deu as boas vindas aos congressistas e a comunicação social sediada nos Açores (RTP e imprensa escrita) recolheram os testemunhos dos agentes viagens presentes, que registaram a falta de apoio e de divulgação deste destino.
Seguiu-se uma profissional explicação de Eduardo Elias Silva, responsável pela promoção dos Açores, que apresentando ilha a ilha, deixou em todos a forte vontade de voltar para conhecer as restantes ilhas do arquipélago.  Após o almoço, a visita a um dos parques mais emblemáticos da ilha, o Parque Terra Nostra, com as suas piscinas naturais de água quente e lamas medicinais, em parceria com uma vegetação luxuriante, rara e única. Seguiu-se o Pico do Ferro, o miradouro sob o vale das Furnas, e passando à costa norte, os participantes, visitaram um das duas fábricas existentes na ilha e únicas na Europa - a fábrica do Chá da Gorreana que desde 1878, produz um chá único, em processo natural, que é vendido em casas de especialidade e exportado para as principais lojas gourmet no estrangeiro. Regresso a Ponta Delgada a capital dos Açores, para uma noite de jantar gastronómico nas Portas do Mar.




Vista digna de um rei...

No segundo dia os participantes, tiveram oportunidade de visitar a Profrutos, a cooperativa de produtores de ananases e conhecer as suas vinte estufas onde este fruto rei, ao fim de dois anos e numa produção única, chega à mesa dos consumidores. Da Profrutos, mesmo às portas de Ponta Delgada o grupo, visitou a fábrica de loiça e artesanato de barro «Fábrica de Loiças Vieira» que há mais de um século leva a arte em forma de artesanato dos Açores para o mundo, passando depois o grupo pela Caldeira Velha uma cascata natural, património da natureza que jorrando água quente, delícia os banhistas, com águas medicinais e únicas. O almoço não poderia ter sido em melhor local, no campo de Golfe da Batalha, onde todos os participantes puderam tomar conhecimento da aposta da região neste segmento de turismo, dispondo S. Miguel de dois excelentes campos de golfe. Alguns dos participantes que trabalham este segmento de turismo, deram mesmo algumas “tacadas”.
Ribeira Grande é a segunda cidade desta ilha, depois de Ponta Delgada e a sua beleza e dimensão, bem com a sua implantação numa zona de vale, que apaixona qualquer visitante. Ribeira Grande leva o nome da terra, aos quatro cantos do mundo, através dos seus licores «Mulher do Capote» uma paixão de Eduardo Ferreira, um ex-emigrante que produz, comercializa e exporta licores naturais, feitos através de frutos da ilha, para todo o mundo. Aqui os visitantes, puderam ver e degustar, estes licores genuínos.
O folclore através do Rancho Folclórico de Santa Cecília, marcou presença num dos jantares regionais em que através da dança os presentes ficaram a conhecer as tradições de um povo que soube preservar através dos séculos aquilo que a mãe natureza lhe deu.
O tempo passou rápido e como nos tempos em que El Rei D. Carlos visitou a ilha e se deslumbrou ao chegar ao miradouro das Sete Cidades, os participantes ficaram encantados com a vista da Lagoa das Sete Cidades, a lagoa verde e azul, onde as lendas aliam a beleza a dávidas divinas.  Foi ali que El Rei D. Carlos na sua visita perante esta vista tão linda, exclamou ser esta «uma vista digna de um rei», pelo que a partir de então o miradouro ficou assim a ser conhecido. A vista do Miradouro do Escalvado, dá uma panorámica sobre Mosteiros e grande parte da costa Norte e, já com a ilha quase toda percorrida, os participantes seguiram a pé em visita guiada o centro histórico de Ponta Delgada e admirar o símbolo máximo da fé e religiosidade deste povo: a imagem do Santo Cristo, que todos os anos em procissão de quatro horas percorre, no quinto domingo após a Páscoa, as ruas de Ponta Delgada, venerado pelos açorianos residentes e pelos milhares de emigrantes que naquela altura visitam a ilha.
A.F.


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